Rompe na minha favela
um sequestro do engano que restara
entre eu e a minha amada tão amada
pois minha trufa de canto desencanta
porque desafino grosseiro e canto tristeza
quando me caibo no buraco que pude sair
sempre me quis cogitar numa sensação estrangeira
de um nado sem sincronia num contra plongée
para ter acesso ao teu paraíso virgem
sei sabendo de que meu canto (este canto)
nunca pegará na rádio dos anos vinte
mas quem sabe nas favas de poesia
que correm de mim.
3.7.10
Sem título
Dos inacessos urbanos
a fome branca dos gatos de rua
o sono catarse dos desastres humanos
à face do barro como quem mandioca murcha
no recreio sem bola de meia e priori
passou meia hora para repensar a vida inteira
e na minha horta que pena não chove alegria
sobra gente nua na beira da estrada
e de triste que me senti
não quis lá de saber as regras
a gramática do desespero é a única
que me acude.
Sem maquiagem na festa dos esfomeados
que curtem aquela casa amarela que é nossa
e que por ser nossa mesmo falta amor
é um asilo de abraços perdidos
de esquecidos anoitecidos
bebidos por nós
assassinos
de nós.
a fome branca dos gatos de rua
o sono catarse dos desastres humanos
à face do barro como quem mandioca murcha
no recreio sem bola de meia e priori
passou meia hora para repensar a vida inteira
e na minha horta que pena não chove alegria
sobra gente nua na beira da estrada
e de triste que me senti
não quis lá de saber as regras
a gramática do desespero é a única
que me acude.
Sem maquiagem na festa dos esfomeados
que curtem aquela casa amarela que é nossa
e que por ser nossa mesmo falta amor
é um asilo de abraços perdidos
de esquecidos anoitecidos
bebidos por nós
assassinos
de nós.
29.4.10
Exercício.
Quero sentido que faça sentido,
palavra que não fala da Palavra falada.
Resquício que mate a minha fome,
que me mate quero droga que drogue,
Deixe também apertados meus rins,
Deixe também apertados meus rins,
minhas narinas consumam, engulam meu coração,
quero um infarte de cinema, sem teima,
morrer sem medo de morrer e ir mais,
mais que antes pensava sobre a morte,
encontrar com jesus e poder cuspir
minhas décadas de sobrevida,
cheia de vidas e mais vidas idas,
morrer sem medo de morrer e ir mais,
mais que antes pensava sobre a morte,
encontrar com jesus e poder cuspir
minhas décadas de sobrevida,
cheia de vidas e mais vidas idas,
eu fumo por que não tem solução
pra ir mais tarde como eu queria menino,
não dará tempo de ser a tara e a discórdia,
o completo bem da vida e o inferno na vida,
mais tempo para o que é em mim repetido,
eu quero continuar num loop sem fim,
bebida todo dia, novas pessoas, sempre!
Jamais, pois, pessoas velhas Que morram em mim.
não dará tempo de ser a tara e a discórdia,
o completo bem da vida e o inferno na vida,
mais tempo para o que é em mim repetido,
eu quero continuar num loop sem fim,
bebida todo dia, novas pessoas, sempre!
Jamais, pois, pessoas velhas Que morram em mim.
Óculos côncavos.
Se nos tomamos como breves animais,
então terei de engoli-lo vivo, sangrando,
depois a sua mulher e o grande presidente,
que manda na república interna da casa,
é o pai da greve, gosta é da farra,
comer e beber a noite inteira.
Quando fui em Feira,
exaurido pela pacacidade,
cheguei na cidade indo e voltei
antes do meio dia, sonhei que lá nada tinha,
senão, chão e mais chão sem caminho.
Eu me provoquei dias de perdido,
e na selva encontrei pouca coisa que sabia,
encontrei uma água que não embebe,
e sabão que não espuma, coca uva
e um beque que não bate.
então terei de engoli-lo vivo, sangrando,
depois a sua mulher e o grande presidente,
que manda na república interna da casa,
é o pai da greve, gosta é da farra,
comer e beber a noite inteira.
Quando fui em Feira,
exaurido pela pacacidade,
cheguei na cidade indo e voltei
antes do meio dia, sonhei que lá nada tinha,
senão, chão e mais chão sem caminho.
Eu me provoquei dias de perdido,
e na selva encontrei pouca coisa que sabia,
encontrei uma água que não embebe,
e sabão que não espuma, coca uva
e um beque que não bate.
Descrição.
No mais, respeitamos ao menos o espaço
e suas consequências mais severas,
quiçá, estúpidas, comemos
e deitamos nesses escombros eternos,
andamos rastejados, cinco vezes ao mês.
Meus dias são a penitência que nunca quis,
morando sem prédios, sucesso
e algo mais, sem sexo,
digamos, tem sido quase sem nexo,
é por isso que rimo feiamente.
Queremos pais que tragam paz
e eu me sinto metade sim, metade não,
ou qualquer coisa pouca
que não me basta nem para sede,
a sede de tomar uma kaiser ou as serras todas
de açúcar:
álcool por álcool, remédio por remédio,
tédio por tédio, tabaco por tabaco,
anda tudo muito repetitivo, ainda,
ele era meu amigo antes de ser amigo,
inimigo antes de nascer e ser vivo.
23 de Abril de 2010.
e suas consequências mais severas,
quiçá, estúpidas, comemos
e deitamos nesses escombros eternos,
andamos rastejados, cinco vezes ao mês.
Meus dias são a penitência que nunca quis,
morando sem prédios, sucesso
e algo mais, sem sexo,
digamos, tem sido quase sem nexo,
é por isso que rimo feiamente.
Queremos pais que tragam paz
e eu me sinto metade sim, metade não,
ou qualquer coisa pouca
que não me basta nem para sede,
a sede de tomar uma kaiser ou as serras todas
de açúcar:
álcool por álcool, remédio por remédio,
tédio por tédio, tabaco por tabaco,
anda tudo muito repetitivo, ainda,
ele era meu amigo antes de ser amigo,
inimigo antes de nascer e ser vivo.
23 de Abril de 2010.
22.4.10
Maestria.
Quem me espera prosa é,
bate nas palmas da alegria e bis,
pede coisa que não posso,
o desejo que não tenho.
Quem arrisca prosa é
porque canta no fio da meada
e cai, cai bem caído, respira,
espirra a sua derrota.
Samba quem canta é prosa
porque prosa é bolero,
e nada cai bem,
como a lapa.
Quem prosa rebebe,
quem fuma, perfuma poesia,
prosa é, ou prosa não, se for de cara
e de bico cerrado.
17 de Abril de 2010.
bate nas palmas da alegria e bis,
pede coisa que não posso,
o desejo que não tenho.
Quem arrisca prosa é
porque canta no fio da meada
e cai, cai bem caído, respira,
espirra a sua derrota.
Samba quem canta é prosa
porque prosa é bolero,
e nada cai bem,
como a lapa.
Quem prosa rebebe,
quem fuma, perfuma poesia,
prosa é, ou prosa não, se for de cara
e de bico cerrado.
17 de Abril de 2010.
Classificado.
O meu porto se desmancha
nas águas riscadas do rosto, menina,
O meu moço bebe tonteiras de leite,
caviar e coisa que se come na transa.
Uma morena feiticeira, gosto mais dela
que de mim, meu mundo eleito,
minha sobra bastarda de farinha e filé,
açúcar e doce de goiaba,
cabaça da senhorita de Petrolina,
meu rato, meu roedor de romances,
aviva, aviva, nos meus sapatos
e na redondilhas que canto,
e sem saber rochedo escrevo,
meu dedo é eterno como sua alma,
meu estômago um nada a declarar,
em greve, não refeita as máscaras reginas
minha psique é a política parlamentar,
o mundo todo esquenta e nada muda.
17 de Abril de 2010.
nas águas riscadas do rosto, menina,
O meu moço bebe tonteiras de leite,
caviar e coisa que se come na transa.
Uma morena feiticeira, gosto mais dela
que de mim, meu mundo eleito,
minha sobra bastarda de farinha e filé,
açúcar e doce de goiaba,
cabaça da senhorita de Petrolina,
meu rato, meu roedor de romances,
aviva, aviva, nos meus sapatos
e na redondilhas que canto,
e sem saber rochedo escrevo,
meu dedo é eterno como sua alma,
meu estômago um nada a declarar,
em greve, não refeita as máscaras reginas
minha psique é a política parlamentar,
o mundo todo esquenta e nada muda.
17 de Abril de 2010.
Nós não temos culpa.
Mãe não tem culpa de nada,
o estado é que deveria me por no berço,
e dorme cidadão, quer leite de dólares?
Segurar a minha onda em casa
porque eu sou seu filho alcólatra.
Salvar-me das palavras de horror
ditas na noite em que não voltei.
Moro nas ruas de minha garagem,
uma garagem suíte pulsando sangue,
um rapto venenoso pulsando nas veias
corrente correnteza corrida nos meus braços;
ai, estado, me dê suas drogas políticas,
com toda a alucinação de ballantines sem gelo.
o estado é que deveria me por no berço,
e dorme cidadão, quer leite de dólares?
Segurar a minha onda em casa
porque eu sou seu filho alcólatra.
Salvar-me das palavras de horror
ditas na noite em que não voltei.
Moro nas ruas de minha garagem,
uma garagem suíte pulsando sangue,
um rapto venenoso pulsando nas veias
corrente correnteza corrida nos meus braços;
ai, estado, me dê suas drogas políticas,
com toda a alucinação de ballantines sem gelo.
A arquitetura da filosofia na modernidade.
O mundo do entretenimento frustrado e dos conceitos simples e passageiros - enlatados - trouxe um obstáculo (cabala) para o pensamento filosófico, um tecido de contraponto que atinge dimensões prejudiciais a essa corrente das ciências. A banalidade das ideias contemporâneas ofuscou a importância da filosofia quando pensamos na sua leitura, na interferência ao seu leitor e, possivelmente, na construção do pensamento moderno. Uma espécie de bloqueio no século que, se supossemos a ordem cronológica da história, deveria agregar e reconstruir conceitos adequados a realidade.
Exatamente o que não acontece. E essa problemática passa pelos jovens e adultos (menos instruídos, talvez) que refutam a clareza dos sentidos da filosofia habitual até os difusores da comunicação pouco preocupados com isso e, claro, a política pouco compromissada com o conhecimento de seus súditos e provedores. Necessitar destas destas práticas diárias e do bom senso usual com a delícia que o conhecimento nos traz parece algo distante de nossa moda temporária. Uma contra resistência à sabedoria, aliás, a busca dela. O que me vem logo quando penso nessa inconsistência da sociedade, é em termos do que seremos sem a inerência da racionalidade ainda mais forte nas tomadas do cotidiano. Parece pouco preocupante e, ao mesmo tempo, inimaginável. Mas o que é pensar filosoficamente? Os mais claros a definem como um processo que se inicia especificamente nas ideias primordiais, no mundo intelectivo e mesmo na sua própria gênese, questiona (e nem sempre responde) o que é a vida e seus signos. Geralmente, não nos sentimos aptos a Filosofia porque nos vemos distantes da verdade, e o quê e de quem seria a verdade, que não tomamos nunca, por uma posição pouco vaidosa, como nossa também e numa profunda recriação de si mesma.
Sim, caímos novamente no genérico, termo que também obstrui um tipo de coesão, estamos extamente no esquema que uniformiza o desconhecido. A exemplo disso temos, não a crença, mas as conveniências da religiosidade, que cobrem conscientemente as más execuções dos estados, a miséria sócio-econômica permamente, as diversidades absurdas entre nós de uma ou outra classe da sociedade, que justificam às cegas motivos das guerras cristãs, dos massacres étnicos e tudo mais adverso a nossa existência. Algo que em si se reforça, sem o saber, de uma filosofia bastante encrustada, bem elaborada num sentido ideológico, que subverte as grandes massas, segundo Karl Marx, em outras análises e numa viagem sociológica. Pois bem, a Filosofia está na base de todas concepções. Precisamos parar e sentir as necessidades desse pensamento, discutir com nossos semelhantes a respeito de suas inquirições, consentir inicialmente, depois fomentar antíteses, e logo sínteses, estabelecendo dialética, de modo simplório e claro. Filosofia contínua e, numa denominação extrema, instintiva, naturalíssima. Aproximar isso da nossa subjetividade para alçar novos caminhos, descobertas inéditas e compartilhá-las abertamente. Evidentemente, percebemos nesse instante o que significa a ciência filosófica e a que lugar chegaremos navegando neste rumo, sempre em transformação. Obstinadamente vive e sempre viverá no mínimo e no máximo das sociedades.
11.4.10
O cinema é língua.
O cinema, sua linguagem característica e a congregação das mais diversas ações artísticas depois dos primeiros anos dessa arte major, é significamente heróico em termos culturais e sociais no mundo das expressões. Em outra análise a linguagem cinematográfica perpetua uma universalidade jamais vista pela modernidade. Principalmente décadas após a segunda guerra e o neocolonialismo europeu, abriu-se uma lacuna na maneira de ver a imagem e interpretá-la abertamente e, sem subverter a primeira ideia, cronologicamente. Ordenado porque rapidamente a tarefa do montador ganhou ânimos através das principais intervenções humanas na câmera e na sua maneira de ilustrar os objetivos da película. O cinema criou a ilustre plateia quando partiu do hábito homem demais de notar somente as grandes medidas e atingiu a efervescência dos detalhes mais tênues. Abarcou o planeta à medida que agregou a periferia de todas as suas sociedades.
Soube lidar com outras linguagens por que com suas descobertas no campo técnico deu espaço ao áudio nos anos iniciais da televisão e a cor em meados dos trinta. Usou, portanto, com maestria as vertentes da música, as artes plásticas gritantes, a literatura e com mais profundidade que no seu início o teatro de ator. Aos poucos, não haveria sequer parte das expressões artísticas que não fossem tocadas pelo cinema. Com isso não faltaram ares de recriação para os diretores incessantes dessa arte crescente. Surgiu um campo de mestres geniais e a massa foi-se formando paulatinamente, criando sua própria atmosfera. As nações do velho mundo e os estados unidos davam peculiaridades às suas produções. Formou-se, pois, as vanguardas: de Griffith e expressionismo alemão até o movimento neo-realista italiano. No antro das temáticas e de inovações dessa língua a liberdade achou seu espaço definitivo. O século avança maquinamente. De Thomas Edison nasceram as indústrias cinematográficas e isso repercutiu bem e nem tão bem assim para a corrente dessa evolução em ritmo acelerado. É claro que a censura tentou agredir essa expressão quase anárquica. Mas essas produtoras abriram as portas para grandes investimentos e, positivamente, nasceram os grandes filmes com cenários complexos e riquíssimos. Como em toda época, crescia também os impulsos da contra-cultura ou do contra-ponto - diminuindo as classificações históricas - que destruíam tudo e buscavam a libertinagem criativa de quando a tecnologia não movia tanta terra, como é o caso do Dogma 95 e suas realizações aparentemente alternativas: câmera solta, cortes abruptos e temáticas cruas e realistas. Poucas obras, mas objetivamente impactante.
São dezenas de incursões vindas de todos os lugares. O mundo inteiro adentrou-se na arte do cinema. Índia, Irã, Paquistão, Japão, China e África do Sul, além dos países do segundo mundo na América Latina, a Europa Oriental e as promissoras potências da Oceania. Sem outras convenções o grande partido é a universalidade que coube tanto em empregar no seu campo semântico outras palavras, como dar subsídios notórios através da sua narrativa para a leitura íntegra de qualquer público. Uniu além as faculdades cerebrais num miasma motivado. O cinema não é moda e nem passagem. Revolução todo dia. Inovação sempre. Sapiente. Sempiterno.
Soube lidar com outras linguagens por que com suas descobertas no campo técnico deu espaço ao áudio nos anos iniciais da televisão e a cor em meados dos trinta. Usou, portanto, com maestria as vertentes da música, as artes plásticas gritantes, a literatura e com mais profundidade que no seu início o teatro de ator. Aos poucos, não haveria sequer parte das expressões artísticas que não fossem tocadas pelo cinema. Com isso não faltaram ares de recriação para os diretores incessantes dessa arte crescente. Surgiu um campo de mestres geniais e a massa foi-se formando paulatinamente, criando sua própria atmosfera. As nações do velho mundo e os estados unidos davam peculiaridades às suas produções. Formou-se, pois, as vanguardas: de Griffith e expressionismo alemão até o movimento neo-realista italiano. No antro das temáticas e de inovações dessa língua a liberdade achou seu espaço definitivo. O século avança maquinamente. De Thomas Edison nasceram as indústrias cinematográficas e isso repercutiu bem e nem tão bem assim para a corrente dessa evolução em ritmo acelerado. É claro que a censura tentou agredir essa expressão quase anárquica. Mas essas produtoras abriram as portas para grandes investimentos e, positivamente, nasceram os grandes filmes com cenários complexos e riquíssimos. Como em toda época, crescia também os impulsos da contra-cultura ou do contra-ponto - diminuindo as classificações históricas - que destruíam tudo e buscavam a libertinagem criativa de quando a tecnologia não movia tanta terra, como é o caso do Dogma 95 e suas realizações aparentemente alternativas: câmera solta, cortes abruptos e temáticas cruas e realistas. Poucas obras, mas objetivamente impactante.
São dezenas de incursões vindas de todos os lugares. O mundo inteiro adentrou-se na arte do cinema. Índia, Irã, Paquistão, Japão, China e África do Sul, além dos países do segundo mundo na América Latina, a Europa Oriental e as promissoras potências da Oceania. Sem outras convenções o grande partido é a universalidade que coube tanto em empregar no seu campo semântico outras palavras, como dar subsídios notórios através da sua narrativa para a leitura íntegra de qualquer público. Uniu além as faculdades cerebrais num miasma motivado. O cinema não é moda e nem passagem. Revolução todo dia. Inovação sempre. Sapiente. Sempiterno.
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