19.2.09

Deveria falar bem menos.

Se tu soubesses onde guardo minha montanha de amores, tocaria, tal como rebelde, a magnitude em boniteza de teus beiços delicados e se tu enxergasses o meu desespero estampado - ah, dadíssima senhorita! - serias a minha grande revolução sensitiva: um poetaço e sua poesia flama nus, interagidos, que só em mais tenras utopias da putaria mundana e toda a sua complexida contraditória - haveria merecido termo para ocasioná-las com crua veracidade. Somos milenares e metafóricos foliões tropicalistas. Envelhecidos por um Saudosismo em validade indefinida. Somos pais em hipocrisia e mães sôfregas. A rosa da fertilidade nos abriu suas largas asas em fausto e que valioso voaceiro de bem te ver! Ainda assim - vê! - ELES continuam paralíticos à espera mais rotineira do mês: os pratos, que por sua vez são os últimos donos de tudo e de minha totalíssima falta de superação - sobretudo.

18.2.09

Sem progresso.

...Latido desvairado. Novela. Uma cena repetida. Uma cela incondicional. Implacável. Eu sou um cachorro quando tu me apregoas o teu andado. Limpa-me. Não sou impecável: um giramondo nunca é. No meio desse povo não sou a carapaça da verdade nem a ampla abertura da perfídia. Um cego desvairado. Latindo... Lamparina apagada. Um paraíso sem intenções. Outono permanente. O sonho da velhice saudável. Sapato vazio. Gaveta vazia. Carteira vazia. Isqueiro sem gás. Revolução sem massacre. Inevitável. Desnecessário. Pecado. Pecado. Um dia sem mim é desvantagem. Mas eu recrio uma tentativa após a última falha. Sou sucessivo e tedioso. Uma construção em itálico. Um pequeno em pequenice. Latindo...
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Maria? Taí? (...)
Onde estão as meias?

16.2.09

Falhas.

Poentro e consternação consumiram por um mês aquele meu pensamento masculino. O prato tá virado e só me resta uma barra de sabão. Cuspa - menino. Quebre o copo na cara dele - quebre! Espanque! Maltrate! Cuspa. Cuspa - menino! Quebre o copo na cara dele! Poentro e consternação me consumiram. Benvindo a um bom fim. Só me resta uma barra de sabão...
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Onde? Em meus ósculos em dessuetude.
Você merece. Eu também.

14.2.09

Complemento.

Eu não amo com gosto algum.
Meu coração é de plástico,
Meu espírito de crânio.

13.2.09

Uma significativa praça em jardins.

Quão belas são as ninfetas que fumam e osculam à beira da praça - disse. Se eu lhes externasse todo meu ofício vagabundo de garção-malícia, traria-me uma baía de alento à fraude de minha vivência ociosa. Mas sou bestialidade! Sou um rio transbordando de afetos emporcalhados e grudentos: Quem me dera ser o tal humano passível de amores viciosos - sou flâmula! Serei enternamente flâmula em fiascos desbotados. Um tênue fracasso. Com uma naturalidade angelical - argumentou que sim e tinha algo em retórica: pouco tardasse - eu seria tendência do desperdício poético e o desastre desse outono Ou um viúvo turbeculoso e concoroso e sobretudo saudoso em qualquer obscenidade. Um fim retrógrado e paulatinado. Quiçá haveria algum sabor catastrófico em isso. O meu retrato caústico - sim! - seria um magnífico motivo de algazarra por toda a Olímpia menos por ausência imediata de aplausos. Menos por ausência qualquer que me levasse à falta de filantropismo comigo! Menos isso e aquilo lá! Um fracasso inédito no púrpuro incêndio da face telúrica. Um término sem fim marcado...

10.2.09

Maria.

..Seus lábios são um cardo - Maria.

..Aquele telefone vermelho não tocará mais. O seu lençol sempre lhe cobrirá a nalga. Doravante - Maria - o nosso ninho será só sem a minha rabugice cansativa. Mas não me sinta desgosto algum se eu lhe partir sem inteiros. Direi até nunca - alegoria romântica. Serei basicamente continuidade.

..Não - Maria - não. Eu não lhe tenho braços que fervem demais. Meus amplexos faleceram à penumbra do seu perfume ácido. O seu nome é um Mário em meu saudosismo entediado. Não é Lira nem Viola nem Poesia - é um trato maldito. Acabou o meu terror de lhe ser um verso reciclado e só. Acabou sim e que felicidade! Acabamos repartidos sobre a brasa da omissão.

..A sobrevivência nos arrebatou a uma fanfarronice da varanda de amores. O meu mundo também desabou - Maria. Desatou aquele nó entre dous pombos de candura. Morreu. Morreu - Maria. Findou-se aquela embriaguez sertânica de nossas vistas embaraçadas.


Que nos suicidemos tristonhos em loucura vazia e em ode à paixão.





Adeus - Mário - adeus! (...)

3.2.09

No dia em que volvi e não estive lá - vestia de mancebo - e me tornei numa anedota raquítica. Bastava averiguar pouco aquela aparência desusada: um pogonóforo sem o mínimo ânimo. Seria um garção a desfilar por entre a humilde residência do Fundo. O sapato fétido de ontem causou um seríssimo esporro - o que lhe merece senão o seu preço? O desflorar dos Morais. Um derrame de pretextos enganosos em minha roquidez fumista:


- Que houve? tatu do escuro não causa espanto.


Quem é que tem um cigarro? Eim? O maratonista canceroso. O poetaço emporcalhado. O santíssimo crime tem. O meu fogaréu - senhor - não acende uma faisca de esperança.



Meretriz.

Vê! Que homem cáustico e efusivo diante daquele rubor que se penetra à fruidez do espírito: - Jamais se atraiçoe - moceta meretriz - que teus ósculos gratuitos me são o regalo da libertinagem.

O capeta em teus seios tênues lança-se à luminária da capela da cafetinagem e nota que há ali além à sobrevivência rapariga de um garção atrevido à sexualidade estonteante. Nem te tornes uma alta parva altiva na sobreposição dos álcoois de Janeiro - moceta abatida na meninice!

Quero-te no antro de teu extravagante sabor virginalíssimo. Naquele apatetado papel de louquíssima em outrora - que devaneio tresloucado! Entretanto, tu nem me desvias porque aí não há senão a sensação brinquedo do teus seios fartos, que são - inclusive - verdadeiros pousios numa alvura eterna. Criatura cinética à altura infinda das nuvens; tu não me arde - pastoreira cosmopolita - mesmo em tua profundíssima longitude e que tu saibas sim - mister heroína de Veneza - sobre minha dulce alusão perpétua à tua obliquidade copular e que não me olvido de tua faceta irriquieta dada à minha discrepância juvenil.

Ah - ternura vestida de gaivota-candura! Que te exalava nessas frágeis asas de amante: uma cativa efervescência de embaraço feminino? Mantiveste-me - caríssima serva infeliz - demais entretido em tuas arquitetadas nalgas e nada além e nada além. Sou um cão em essência e ternura; pisoteando a amargura duns dias de outrora e a consumir silvícola àquela tesura dançante que havia ontem em teu largo espírito de concubinato - só ontem - sem mais.

Delineio-te aqui - ó, grandíssima doçura da noite! - porquê tu ainda sabes que todavia te mimoseio com a formosa alma castigada de meus ósculos famintos e ainda que seja bem tardio: sou a tua alíquota pervertida de devaneio ardente e o sobrevivente embriagado de tua prisão erótica.

28.1.09

O mínimo traje que cabe ao mundo.

Sou válvula derramando faisca de ventura. Vira-lata roendo osso de zinco. Um percalço vascular e amoroso. Caçamba apatetada de subtilezas recauchutadas. Um genocídio de colibris.

26.1.09

Baluarte.

Eu desconverso se me passa na fronte os seus ósculos amoráveis. Que lacuna se abre tórrida em minha tez - se me ganha a terrífica falta de mim. Não lhe terei velhice suficiente para mais milhões de solares. Serei permanentemente austeridade em jovialidade desnecessária. Centenas de grandes Rios transbordando afetividade nua e escancarada. Sou soluço inquietante se suspiro o seu teor vasto e melodioso. Sim - eu desconverso hepático se a sua alvura ainda me toca a loucura com uma aspereza dissuadida e tenra.