Não tem jeito, não,
eu vou me consumir,
eu quero é esquecer de mim
pra poder me relembrar,
Pra poder me festejar
e me encantar com essa bamba
esse bom coco a me reembolar
daquele sino quando me sinto
a toca tocar tão festivo,
ai teresa,
esse março de canção dizendo
na europa, meu amor, vamos lá!
pra não voltar descalço,
eis que pelas quedas da cachoeira
vou comer o mississipi, eu vou,
eu vou no samba da beira do bar.
é uma duas três
e me sinto esse café todo,
esse colo impenetrável da paixão,
sou eu pedindo: pelo amor de deus, não!
21.10.10
13.10.10
Sem ritmo.
Me ocorre nesse desespero
que nem nos tocamos,
mas eu espero, espero
que espere...
até aquela manhã,
quem sabe ou não se sabe nunca,
e depois aqui acolá e lá?
eu não me esqueço
de sempre te esquecer
quando me vem
nada de você.
que nem nos tocamos,
mas eu espero, espero
que espere...
até aquela manhã,
quem sabe ou não se sabe nunca,
e depois aqui acolá e lá?
eu não me esqueço
de sempre te esquecer
quando me vem
nada de você.
12.10.10
Desistência.
Se eu não escrevesse pra você
das barbáries cardíacas, tudo bem,
pois, minhas atrocidades amoráveis,
caem bem no juízo de me acabar,
Quando a nossa informaticalidade,
em que meu peito supõe não nascer,
não passa através de meus próprios pés,
Como que de manhã morresse
e minha pátria, minha sã consciência gritasse
quanto me ardeu ir sem it.
Cabe um milímetro da sede que nos vem
e cabe a orquestra mimética que nos suborna,
nem tuas ideias quase metódicas
nem o esquecimento arrasado.
das barbáries cardíacas, tudo bem,
pois, minhas atrocidades amoráveis,
caem bem no juízo de me acabar,
Quando a nossa informaticalidade,
em que meu peito supõe não nascer,
não passa através de meus próprios pés,
Como que de manhã morresse
e minha pátria, minha sã consciência gritasse
quanto me ardeu ir sem it.
Cabe um milímetro da sede que nos vem
e cabe a orquestra mimética que nos suborna,
nem tuas ideias quase metódicas
nem o esquecimento arrasado.
26.8.10
Locus.
Está aí o momento da praça:
solteiros largados, é a praça!
fumantes viciados, é a praça!
a praça é a academia dos orixás,
no entanto, é a praça que manda agora!
a nossa faca, homem, é que está no corte,
não é a cara da soberania duvidosa!
Que fique o agredido por tudo
(é a antilei!)
Os carros que não passam pela praça,
passam pela alma dos paralepípedos,
passam pela pequena cidade
que também é uma praça.
Aqui passam seres falantes e caminhantes
que comem gente como aveia e trigo
nos pequenos bancos da praça
e me chamam de margem da sociedade
porque vos digo: está lançada a armada:
com certeza, a nossa priori é a praça!
solteiros largados, é a praça!
fumantes viciados, é a praça!
a praça é a academia dos orixás,
no entanto, é a praça que manda agora!
a nossa faca, homem, é que está no corte,
não é a cara da soberania duvidosa!
Que fique o agredido por tudo
(é a antilei!)
Os carros que não passam pela praça,
passam pela alma dos paralepípedos,
passam pela pequena cidade
que também é uma praça.
Aqui passam seres falantes e caminhantes
que comem gente como aveia e trigo
nos pequenos bancos da praça
e me chamam de margem da sociedade
porque vos digo: está lançada a armada:
com certeza, a nossa priori é a praça!
22.8.10
Toque.
Filme porque o filme percorre seu corpo,
porque percorro seus ombros cinemáticos
com meus hábitos de homem carnívoro,
como um muito grotesco mecânico
das engrenagens do amor.
Porque filme
como arquiteto da urbanidade dos sexos
e o cientista da antropologia da cópula
e as estatísticas casuais dos prazeres.
Porque quando fuma
toca a fundo o céu de meu inferno
e minha cúpula insensata.
Meus dias de amarelo contemplativo,
Dias de graças: púrpura só pra te ver passar
com a banda, que sempre quis, a tocar
na cela de meus pensamentos, olha você!
E meus ciclones de pensar amar colher
castigos de um quimérico esfrega
da gente como come e ejacula.
porque percorro seus ombros cinemáticos
com meus hábitos de homem carnívoro,
como um muito grotesco mecânico
das engrenagens do amor.
Porque filme
como arquiteto da urbanidade dos sexos
e o cientista da antropologia da cópula
e as estatísticas casuais dos prazeres.
Porque quando fuma
toca a fundo o céu de meu inferno
e minha cúpula insensata.
Meus dias de amarelo contemplativo,
Dias de graças: púrpura só pra te ver passar
com a banda, que sempre quis, a tocar
na cela de meus pensamentos, olha você!
E meus ciclones de pensar amar colher
castigos de um quimérico esfrega
da gente como come e ejacula.
Carta.
Minha barba conota as saudades que não digo sentir
Que essas saudades evaporam a loucura de meu ser
guardanapo guardo uma só surpresa:
sem a carne me resta banca de amante
e um navio pelos mares que junto da cvc
quero ir cantar de fininho pra você:
meu amor, meu amor
tu és lá lá lá
um tal roque bacana, um iê iê,
um bem-bom abraçado,
uma música de Elvis,
uns dias de Élis,
cartinhas Vis!
Que essas saudades evaporam a loucura de meu ser
guardanapo guardo uma só surpresa:
sem a carne me resta banca de amante
e um navio pelos mares que junto da cvc
quero ir cantar de fininho pra você:
meu amor, meu amor
tu és lá lá lá
um tal roque bacana, um iê iê,
um bem-bom abraçado,
uma música de Elvis,
uns dias de Élis,
cartinhas Vis!
For.
É tecer mais uma lupa
que me preocupa no saco -
se entra na sua sala de entrares
peço que fique e durma
eu quero ter uma ilha com você,
por isso não às portas, não!
Quero que São Paulo more
e morra em nossos lares de jasmim.
Vivamos naquele sempiterno café,
no meio de uma tarde e uns cigarros da vontade,
pra não parar nunca de pensar
que maré só na bahia porque a minha cara alagou
nas alagoas de seus lábios brabos
e você é a baianada ou o nego bom
que mata a guerra a fome a cegueira
e quem dera desafogá-la na dodecafonia
ida visitada em volta de meu coração -
quando bebi na casa de meu sogro:
cada talher em seus devidos lugares.
Aquele gordo barbudo cantante
e coxa e louro e papagaio e carteiro -
é... meu sogro não presta mesmo:
meu sogro me acusa na ceia natalina,
meu pai me liga dia e noite e eu não atendo.
Mas nego ser o tal criminoso
atrasando o progresso e o crepúsculo da nação
e não entendo porque ainda sou tanto minha mãe,
minha mãe e seus castigos freudianos.
Sei de minha futura e sem lei bem gerada geração:
meus ingratos pela super-bossa-nova e bazin e coca-cola
e pelo cinema do inconveniente cheio de erotismos.
Entre ventres e países asiáticos,
há Doutores e Dramaturgos e Fotógrafos
que acabam com minha cinédia.
Quem me dará algum socorro, socorro
e algum sucesso? aguardo e aguardo
- é necessário praticar o desapego
e enquanto isso,
isso como todos os dias.
O que penso o que penteio
o que presenteio
meio a meio.
Meu sogro não presta mesmo!
que me preocupa no saco -
se entra na sua sala de entrares
peço que fique e durma
eu quero ter uma ilha com você,
por isso não às portas, não!
Quero que São Paulo more
e morra em nossos lares de jasmim.
Vivamos naquele sempiterno café,
no meio de uma tarde e uns cigarros da vontade,
pra não parar nunca de pensar
que maré só na bahia porque a minha cara alagou
nas alagoas de seus lábios brabos
e você é a baianada ou o nego bom
que mata a guerra a fome a cegueira
e quem dera desafogá-la na dodecafonia
ida visitada em volta de meu coração -
quando bebi na casa de meu sogro:
cada talher em seus devidos lugares.
Aquele gordo barbudo cantante
e coxa e louro e papagaio e carteiro -
é... meu sogro não presta mesmo:
meu sogro me acusa na ceia natalina,
meu pai me liga dia e noite e eu não atendo.
Mas nego ser o tal criminoso
atrasando o progresso e o crepúsculo da nação
e não entendo porque ainda sou tanto minha mãe,
minha mãe e seus castigos freudianos.
Sei de minha futura e sem lei bem gerada geração:
meus ingratos pela super-bossa-nova e bazin e coca-cola
e pelo cinema do inconveniente cheio de erotismos.
Entre ventres e países asiáticos,
há Doutores e Dramaturgos e Fotógrafos
que acabam com minha cinédia.
Quem me dará algum socorro, socorro
e algum sucesso? aguardo e aguardo
- é necessário praticar o desapego
e enquanto isso,
isso como todos os dias.
O que penso o que penteio
o que presenteio
meio a meio.
Meu sogro não presta mesmo!
4.7.10
Bom de orla
e me dê um golaço ou um grande gole,
que eu quero rebater esta penúltima lágrima,
esta cachoeira de minha ida matéria.
bate querubim,
eu nem te conheço mas me sinto,
um joão jobim na levada bem boa,
que me quero completamente pasquim.
no terreiro verdadeiro de berimbau
e me sentir bahia dentro e lá fora,
no passeio da graça ida
que tenho vindo.
soa soa pandeiro,
bem alto e sacanagem na laje,
a noite inteira meu querido sambeiro,
vamos descer o rio pelo pernambuco.
eu bebo o mangue ou sangue da gente
como quem fruta fruta de doce palavra,
quero ser marciano do burguês
amigo do proletário.
que eu quero rebater esta penúltima lágrima,
esta cachoeira de minha ida matéria.
bate querubim,
eu nem te conheço mas me sinto,
um joão jobim na levada bem boa,
que me quero completamente pasquim.
no terreiro verdadeiro de berimbau
e me sentir bahia dentro e lá fora,
no passeio da graça ida
que tenho vindo.
soa soa pandeiro,
bem alto e sacanagem na laje,
a noite inteira meu querido sambeiro,
vamos descer o rio pelo pernambuco.
eu bebo o mangue ou sangue da gente
como quem fruta fruta de doce palavra,
quero ser marciano do burguês
amigo do proletário.
3.7.10
Sem título
Rompe na minha favela
um sequestro do engano que restara
entre eu e a minha amada tão amada
pois minha trufa de canto desencanta
porque desafino grosseiro e canto tristeza
quando me caibo no buraco que pude sair
sempre me quis cogitar numa sensação estrangeira
de um nado sem sincronia num contra plongée
para ter acesso ao teu paraíso virgem
sei sabendo de que meu canto (este canto)
nunca pegará na rádio dos anos vinte
mas quem sabe nas favas de poesia
que correm de mim.
um sequestro do engano que restara
entre eu e a minha amada tão amada
pois minha trufa de canto desencanta
porque desafino grosseiro e canto tristeza
quando me caibo no buraco que pude sair
sempre me quis cogitar numa sensação estrangeira
de um nado sem sincronia num contra plongée
para ter acesso ao teu paraíso virgem
sei sabendo de que meu canto (este canto)
nunca pegará na rádio dos anos vinte
mas quem sabe nas favas de poesia
que correm de mim.
Sem título
Dos inacessos urbanos
a fome branca dos gatos de rua
o sono catarse dos desastres humanos
à face do barro como quem mandioca murcha
no recreio sem bola de meia e priori
passou meia hora para repensar a vida inteira
e na minha horta que pena não chove alegria
sobra gente nua na beira da estrada
e de triste que me senti
não quis lá de saber as regras
a gramática do desespero é a única
que me acude.
Sem maquiagem na festa dos esfomeados
que curtem aquela casa amarela que é nossa
e que por ser nossa mesmo falta amor
é um asilo de abraços perdidos
de esquecidos anoitecidos
bebidos por nós
assassinos
de nós.
a fome branca dos gatos de rua
o sono catarse dos desastres humanos
à face do barro como quem mandioca murcha
no recreio sem bola de meia e priori
passou meia hora para repensar a vida inteira
e na minha horta que pena não chove alegria
sobra gente nua na beira da estrada
e de triste que me senti
não quis lá de saber as regras
a gramática do desespero é a única
que me acude.
Sem maquiagem na festa dos esfomeados
que curtem aquela casa amarela que é nossa
e que por ser nossa mesmo falta amor
é um asilo de abraços perdidos
de esquecidos anoitecidos
bebidos por nós
assassinos
de nós.
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