5.6.09

O paisagismo da mala, das boas intenções.

Pseudo-prosódia aplicada à vida não é nada,
O castigo do interessante é a revolta dos arianos,
A dupla intelecção do alegórico é o náufrago,

E o náufrago é a frente de todo universo, seus elos,
Seus fetos, suas assassinas, sua identidade nefasta.

O que há de belo é instantaneamente degradado,
Embalaram todas as réplicas da boa vontade, arde,
E as balas da justiça, e que justiça, todas engolidas.

4.6.09

Quantidade II

Sou um homem, não suspiro cancerígeno,
Enquanto fumista, ou um pombo atômico,
De todo atrás, e qualquer rebento telúrico, não!

Sou a reles quantidade de cuscuz sobre a mesa,
Para que a intolerante superioridade, animária,
Sôfrega, não saiba das fechaduras do mundo.

Sou um castigo derramando na tela conspiracionista,
Sem êxito, sou um tarado católico e politeísta
Sou o papa dos profanos giramondos de rua, não!

Tem freira atrás, doutor-maníaco, forças externas;
Quem urgiu meus pulsos sobre a maca da ternura,
Por quanto será o tempo de minha infelicidade?

Sou a sorte de uma semana naufragada, esquecida,
Deitada sobre o cimento ocêanico da eletroatividade,
Sou um protesto à eletricidade sináptica e à memória,
Sobretudo, sou o sangue cheio de léguas agregadas,
Brasivamente pulsante, sou o manto de toda vida.

27.5.09

Homem não pára, pássaro, claro.

Serei pássaro tanto tempo nesta natureza farta,
O tempo, em sua maneira, longe, nem me espera.
Serei superestimado pelo dono do mundo inteiro,
E nas praças que nele houver não serei forasteiro.

Recanto em que serei o dono de todos os bares,
E onde a lei fale alguns tons da libertinagem fedida.
Onde nós, bêbados do século, caminhemos inertes
Tal como caminhávamos no berço do cinema oito.

Com isto, agredecido, creio que um dia se soltem
Todas aquelas ordens da bitolagem contemporânea,
Que gritaram nossas proles irriquietas e gozando mais,
São iguais aos nossos futuros falecidos, daqui para frente.

Entretanto, se lhes trago tamanha fratura em minh'alma,
Jamais por que sou um tolo moribundo, é que falta tudo,
E um enorme peso às mãos castigadas aparece rompendo
Com a falta de ofício, com a idade triste, e um cargo da alta.

24.5.09

O néctar que cabe ao mundo.

A eclosão de dois amores e de dois mouros
nada de excêntrico tem, é verdade.

O beijo de dois homens ou de duas mulheres,
ah, meu caro, nada de excêntrico tem.

Se eles são explícitos - sejam loucos ou caretas,
nada, nadinha de excêntrico tem.

Ou se eles dilaceram uns aos outros, tolos,
fere-me pouco, mas isso é de alta excentricidade.

Caso queiram armas ou amar-se mais, realmente,
nada de excêntrico e nada de satisfatório, no mundo.

Se me pedirem a morte, ou me furtarem a alma,
sinceramente, se forem piedosos, nada surpreendente.

18.5.09

O Barco do mundo.

O Barco do mundo continua náufrago por aí
Sem a antiga bradura oceânica, sem seus cardeais,
O medo do mundo é tudo que nasceu e é imortalidade,
Como é e segue o mapa deste eterno outono-amaro.

O Barco do mundo, hoje, é estaticamente histórico,
Sem a despedida portuguesa, a castidade de três meses,
De onde é a índia que mundo todo comeu, a pimenta
Que tragaram os polares, as ventanas da Indonésia,

O dedo inquieto e catastrófico de deus, influente,
O tempo cego e tantos xiitas americanos, franceses,
Cubanos, nada muçulmanos, quantos homens armados,
Quantos cães, quantas mães, quantas fãs, não latem assim?

Quantos dias terá o inferno se a morte é a sua varanda,
Quando é que sou um homem ou uma triste moça sentida,
Então, se sou um agregado internado aqui, eu sigo bebíssimo,
Entro nos demais da falta de infindade e suicídio, suicídio,
Seis doses aos mês, um idílio, um assassinato, ó santo traído!

4.4.09

Do verbo proscrever - eu vôo.

verbo intransitivo;
degredar; desterrar; exilar; abolir;
extinguir; banir; proibir; degredo!
banimento; abolição e proibição.

a metamorfose é esse calor humano,
um segredo em latência, inconsciente,
ali está o tesouro e sua procura basta
em me deitar efusivo sobre uns largos
e quentíssimos ombros de um vulcão.

atrás dos muros tudo se escracha em palidez
e é que isso em si é um vício transtornado e vivo,
ou ter como sentir um passo morto, construído
lentamente um atrás do outro, como se nisso
não houvesse uma ternura térmica por vir.

o meu terno acrílico demonstra a bondade
em minha cólera, graças ao desgosto de sua costura,
e todo conspurcado singelo que ainda é notado
como se fosse grande nódulo de meu tempo aberto.
e se fosse um ensaio num trágico enredo metafísico,
e se fosse o enterro do mundo inteiro, o que seria?

31.3.09

Quem não precisa de ansiolítico? [ ou é maluco ou morreu. ]

.
.
Só vivo aos contentes e eróticos
às vadiagens de meus carnavais,
certo que sou do rumo sem rumo,
se há muro, sigo fundo, engolindo.
Que trago tudo porque morrendo
e se morro é assim meu consumado
buquê de brancas corolas, noturnas.
Sou tarado, um encarnado sem sono,
mas ainda não sobrepus a linguística,
e, todavia, continua o gosto pelo cônego,
fumista, dado ao cálice, de messiânico,
transbordando sua fé, aguerrido, tolo,
em outras noviças carentes - ou clítoris -
sempre muito distante da folia magma
de meus dias vis, de meus pacientes,
perdidos em outroras seculares, enfim;
regando a terra do frívolo diário, poemado,
no mais escalarte pomar da leitura paralítica,
atropelada, feita por uns e outros egos,
posto que ninguém é menos múltiplo,
no encontro há poesia sobretudo, mais,
ainda tudo o que não é flores ou perfume;
a falta de meninice suicida na passagem,
a falta de passagem pela meninice escândalo,
a falta de escândalo por mais venturas vadias
e maquilagem nos cílios de deus, de seus pais,
de seus homens prediletos, do militarismo
ou da religiosidade nua e órgica que engulo
aos poucos e não quero mastigá-los cobarde.
O meu segmento dinvindade são as nalgas
de uma margarida danada e dada aos bobos.
O meu uísque é a nossa nacionalidade sorrindo
na cultura desse gozo simultâneo à francesa,
por simples mania de inferioridade assumida,
ou somente porque tenho gosto negativista
e porque o negativo é popularmente esperança,
na ditadura muda dos trôpegos fantoches daqui.

23.3.09

O meu preço é o mais barato.

Em outra nacionalidade ainda resta o fracasso,
Tal que a surpresa prega aos causos um bem pior
E que aí em seu estado espoleta - ainda menina
- Estará outros males e não recebem um vulgo.

Existe, sim, algumas frases perdidas às cegas etílicas, às vias,
E nelas uma constipada existência - ou um luto carnavalesco
Seguindo póstumo aos costumes brasis e às suas bebedices -
E um breve ensaio à magnânime utopia, meramente reles.

Eu repito: o meu preço é todavia o mais barato do mundo
E nele não há pontas sequer de brilhantismo que o determinem!
Assim como aquelas asas dadas aos maníacos e musicistas - vis -
Ou aquela ventura grávida dos mímicos pornôs num instante vadio.

21.3.09

Rebubinadíssimo.

O mais notável é que a desvirtude que tu me apontas não é nada. E, no mais, que se penso como tal, é que sou contínuo e sou louco inteiro. Aquém demais porque perdoar - meu grande bem - não é nada astronauta! Acolá! Observe bem que antes sempre andei com você, e mesmo de longe, era nisso tudo também que eu seguia inteiramente animalíssimo: eu sou eu, eu! Sem aquelas fatias observacionais secundárias e íntimas dadas à minha amargura: estamos na eqüidistância da impossibilidade rompida; eu beijo você e é tudo aqui.

16.3.09

Um conceito sem progressividade.

A ternura é uma puta pacificidade em mim
e é a santidade em meus dias sonolentos
é um segmento traçando limítrofe.

Executo peças imponentes por roçar na cidade
dando sentido impróprio à tarde de magreleza
e de turvidez cáustica sobre a face politizada.

Como então serei vergonha falida - um fato
erguido sem propósito algum - é quando numa tarde
couber infindíssimas loucuras de amor que vivi - e ódio.

Sou egocêntrico criador de vantagens humanitárias
e meu pesinho é a fonte da barca que atravesseu a corda
que termina antes de minha época em meus pêlos sofistas.

E quando - uma e outra vez - um sujeito tenta tirá-las de mim,
mas que desmedido paspalho... não tenho suportado nada mais.
Eis um próspero poetaço erguido às causas inexistentes da pátria!

Com que cólera mais afetada por seu atestado de reprovação
uma pobre ovelha tem de dar-se à morte na antipaticidade alheia?
Preço nenhum: veja bem! há relatos que não dizem merda alguma.