23.11.10

Cachê.

Sonho no sonho não cabe,
nunca coube nos meus fígados de embriagado,
nas minhas taras taradas, nem por sob as minhas calças
inibidoras de nossos proveitosos anseios sexuais.

nunca coube por que sempre quis entrar
em suas nalgas, cansar de amor, e repetir,
passar trotes e porres em um tal de diego,
meter-me por entre seus sutiãs
num mergulho desses.

quero a biles, o ouro
a caça, não matar o touro, o bosque
a bolsa de nova iorque, o corte de barba,
a transa, tudo muito sem fatalidade.

não me reino na pássara passada
de quando me morgo na paula,
na casa de um amigo pirado,
subindo pelas paredes.

30.10.10

balde

eu peixe no seu pé frio,
como quente aquele meu pensar
que penso na sala de jantar com você,
a gente combina e nem sabe,
e nem quer, quer não.

eu abro minha coca-cola
e grito ah! eu não paro de jantar
conosco na selva de minhas idas marinhas,
na cascata da vontade de nada, nadar em você.

e digo que posso possuir
nunca mais me esquecer ou que nunca
quis, ao menos, receber a noite,
quando a noite vier consigo
e a sinfonia que não queríamos.

Saudades não

e mais me seduzo
pela sensação de senti-la,
apenas mentalmente,
na corrida de meus empenhos,

quero me guardar pra outra vida,
e se puder, ainda, me agarrar comigo
e me sentir mais consigo por que sinto
que não poderíamos desistir,

quero me rechear metanfetamina,
e ser tocado pela breve alma
dessa lisergia, que antes
nunca pude entrar.

quero rechear minhas viajens,
com um eterno não te encontrar,
e partirei com um adeus nosso e um beijo,
com meu meu ósculo parnasiano e nunca mais.

21.10.10

Marcha em ré.

Não tem jeito, não,
eu vou me consumir,
eu quero é esquecer de mim
pra poder me relembrar,

Pra poder me festejar
e me encantar com essa bamba
esse bom coco a me reembolar
daquele sino quando me sinto
a toca tocar tão festivo,

ai teresa,
esse março de canção dizendo
na europa, meu amor, vamos lá!


pra não voltar descalço,
eis que pelas quedas da cachoeira
vou comer o mississipi, eu vou,
eu vou no samba da beira do bar.

é uma duas três
e me sinto esse café todo,
esse colo impenetrável da paixão,
sou eu pedindo: pelo amor de deus, não!

13.10.10

Sem ritmo.

Me ocorre nesse desespero
que nem nos tocamos,
mas eu espero, espero
que espere...

até aquela manhã,
quem sabe ou não se sabe nunca,
e depois aqui acolá e lá?

eu não me esqueço
de sempre te esquecer
quando me vem

nada de você.

12.10.10

Desistência.

Se eu não escrevesse pra você
das barbáries cardíacas, tudo bem,
pois, minhas atrocidades amoráveis,
caem bem no juízo de me acabar,

Quando a nossa informaticalidade,
em que meu peito supõe não nascer,
não passa através de meus próprios pés,

Como que de manhã morresse
e minha pátria, minha sã consciência gritasse
quanto me ardeu ir sem it.

Cabe um milímetro da sede que nos vem
e cabe a orquestra mimética que nos suborna,
nem tuas ideias quase metódicas
nem o esquecimento arrasado.

26.8.10

Locus.

Está aí o momento da praça:
solteiros largados, é a praça!
fumantes viciados, é a praça!
a praça é a academia dos orixás,

no entanto, é a praça que manda agora!
a nossa faca, homem, é que está no corte,
não é a cara da soberania duvidosa!
Que fique o agredido por tudo
(é a antilei!)

Os carros que não passam pela praça,
passam pela alma dos paralepípedos,
passam pela pequena cidade
que também é uma praça.

Aqui passam seres falantes e caminhantes
que comem gente como aveia e trigo
nos pequenos bancos da praça

e me chamam de margem da sociedade
porque vos digo: está lançada a armada:
com certeza, a nossa priori é a praça!

22.8.10

Toque.

Filme porque o filme percorre seu corpo,
porque percorro seus ombros cinemáticos
com meus hábitos de homem carnívoro,
como um muito grotesco mecânico 
das engrenagens do amor.


Porque filme 
como arquiteto da urbanidade dos sexos
e o cientista  da antropologia da cópula
e as estatísticas casuais dos prazeres.


Porque quando fuma
toca a fundo o céu de meu inferno
e minha cúpula insensata.


Meus dias de amarelo contemplativo,
Dias de graças: púrpura só pra te ver passar
com a banda, que sempre quis, a tocar


na cela de meus pensamentos, olha você!
E meus ciclones de pensar amar colher
castigos de um quimérico esfrega 
da gente como come e ejacula.

Carta.

Minha barba conota as saudades que não digo sentir
Que essas saudades evaporam a loucura de meu ser 
guardanapo guardo uma só surpresa:


sem a carne me resta banca de amante 
e um navio pelos mares que junto da cvc
quero ir cantar de fininho pra você:
meu amor, meu amor


tu és lá lá lá
um tal roque bacana, um iê iê,
um bem-bom abraçado,
uma música de Elvis,
uns dias de Élis,
cartinhas Vis!

For.

É tecer mais uma lupa
que me preocupa no saco - 
se entra na sua sala de entrares
peço que fique e durma


eu quero ter uma ilha com você,
por isso não às portas, não!


Quero que São Paulo more
e morra em nossos lares de jasmim.
Vivamos naquele sempiterno café, 
no meio de uma tarde e uns cigarros da vontade,


pra não parar nunca de pensar
que maré só na bahia porque a minha cara alagou
nas alagoas de seus lábios brabos
e você é a baianada ou o nego bom
que mata a guerra a fome a cegueira


e quem dera desafogá-la na dodecafonia 
ida visitada em volta de meu coração -
quando bebi na casa de meu sogro: 
cada talher em seus devidos lugares.


Aquele gordo barbudo cantante 
e coxa e louro e papagaio e carteiro -
é... meu sogro não presta mesmo: 


meu sogro me acusa na ceia natalina,
meu pai me liga dia e noite e eu não atendo. 


Mas nego ser o tal criminoso
atrasando o progresso e o crepúsculo da nação
e não entendo porque ainda sou tanto minha mãe,
minha mãe e seus castigos freudianos.


Sei de minha futura e sem lei bem gerada geração:
meus ingratos pela super-bossa-nova e bazin e coca-cola
e pelo cinema do inconveniente cheio de erotismos.


Entre ventres e países asiáticos,
há Doutores e Dramaturgos e Fotógrafos
que acabam com minha cinédia.


Quem me dará algum socorro, socorro
e algum sucesso? aguardo e aguardo 
- é necessário praticar o desapego
e enquanto isso, 
isso como todos os dias. 


O que penso o que penteio
o que presenteio
meio a meio.


Meu sogro não presta mesmo!